Tradução filosófica #1: O sentido da vida, por Thomas Nagel

Retirado de “O que tudo isso significa? Uma breve introdução à Filosofia” por Thomas Nagel. Oxford University Press, 1987.

 

Talvez você já tenha pensado que nada realmente importa, pois em 200 anos todos nós estaremos mortos. Esse é um raciocínio peculiar, porque não está claro o motivo de o fato de que todos nós estaremos mortos em 200 anos deveria implicar que nada do que fazemos agora realmente importa.

A ideia parece ser de que estamos em uma espécie de corrida de ratos, lutando para alcançar nossos objetivos e fazer algo com as nossas vidas, mas isso só faz sentido se essas realizações forem permanentes. Mas elas não serão. Mesmo se você produzir uma grande obra literária, que continuará a ser lida por centenas de anos daqui em diante, eventualmente o sistema solar esfriará ou o universo entrará em colapso e todos os traços do seu esforço desaparecerão. De toda forma, não podemos esperar nem mesmo por uma fração desse tipo de imortalidade. Se há algum objetivo em tudo o que fazemos, devemos encontrá-lo nas nossas próprias vidas.

Qual é a dificuldade nisso? Você pode explicar o objetivo de quase todas as coisas que você faz. Você trabalhar para ganhar dinheiro para se sustentar, e talvez, sustentar sua família. Você come porque está com fome, dorme porque está cansado, caminha porque foi encontrar com um amigo ou porque você estava com vontade, lê os jornais para saber o que se passa no mundo. Se você não fizesse nenhuma dessas coisas, você estaria desesperado. Então qual é o grande problema?

O problema é que apesar de haver justificativas e explicações para a maior parte das coisas, grandes ou pequenas, que fazemos na vida, nenhuma dessas explicações mostram o objetivo da vida como um todo – o todo que integra todas essas atividades, sucessos e fracassos, lutas e decepções. Se você pensar na coisa como um todo, parece não haver sentido algum. Olhando do lado de fora não seria relevante se você nunca houvesse existido. E depois de você ter ido embora da existência, não haveria problemas se você nunca tivesse existido.

É claro que a sua existência tem significado para outras pessoas – seus pais e outras pessoas que ligam para você – mas como um todo, as vidas deles também não tem objetivo, então, no fim, não há significado que você signifique algo para eles. Você tem significado para eles e eles para você, e isso talvez possa te dar uma sensação de que há significado, mas vocês estão apenas na mesma, por assim dizer. Dado que qualquer pessoa existe, ela tem necessidades e preocupações, o que torna as coisas individuais e faz com que as pessoas em sua vida tenham significado. Mas a coisa como um todo não tem significado.

Mas por que interessa que isso não tem significado? “E daí?”, você poderia dizer. “É suficiente que importe que eu chegue à estação antes do meu trem partir ou que eu tenha lembrado de alimentar o meu gato. Eu não preciso de nada mais além disso para poder continuar”. Essa é claramente uma boa resposta. Mas funciona apenas se você realmente puder evitar ter expectativas mais altas, e perguntar a si mesmo qual é o objetivo da coisa toda. Pois uma vez que você o faz, você se abre à possibilidade de que sua vida seja sem sentido.

O raciocínio de que você estará morto em 200 anos é apenas um modo de ver a sua vida dentro de um contexto maior, então o objetivo das coisas menores dentro dela parece não ser o suficiente – parece deixar uma grande questão sem resposta. Mas e se sua vida como um todo tivesse alguma relação com algo maior? E se a sua vida não fosse sem sentido no fim das contas?

Há várias razões para que sua vida tenha um significado maior. Você pode ser parte de um movimento político ou social, que mudou o mundo para melhor, para o benefício das futuras gerações. Ou você pode apenas ser capaz de prover uma boa vida aos seus filhos ou aos seus descendentes. Ou sua vida pode ter significado em um contexto religioso, no qual o seu tempo na Terra foi apenas uma preparação para a eternidade em contato direto com Deus.

Sobre os diferentes tipos de significado que dependem da nossa relação com outras pessoas, mesmo aquelas em um futuro distante, eu já indiquei qual é o problema. Se a vida de alguém tem um objetivo como parte de algo maior, ainda é possível perguntar sobre coisas maiores, então qual é o objetivo disso?  Ou há uma resposta em termos de algo que é maior ou não há. Se há, nós estamos apenas repetindo a questão. Se não há, então nossa busca por um significado chegou ao fim com alguma coisa, que não tem objetivo. Mas se essa falta de sentido for aceitável para a maioria das coisas das nossas vidas, então por que não deveria ser aceitável na nossa vida como um todo? Por que não está tudo bem se a sua vida não tiver significado? E se isso não é aceitável, por que deveria ser aceitável em um contexto maior? Por que não podemos ir em frente e perguntar “Mas qual é o sentido disso tudo? (a história humana, a sucessão de gerações ou o que quer que seja).

O apelo para um significado religioso da vida é um pouco diferente. Se você acredita que o significado da sua vida reside em cumprir o propósito de Deus, que te ama, e vê-Lo na eternidade, então não parece apropriado perguntar “E qual é o objetivo disso?”. Supõe-se que isso é um fim em si mesmo, e não pode ter um propósito para além disso. Mas por essa mesma razão essa pergunta  tem os seus problemas.

A ideia de Deus parece ser a ideia de algo que pode explicar tudo mais, sem tem que ser explicada por conta própria. No entanto, é difícil compreender como poderia existir algo assim. Se nós fizermos a questão “Por que o mundo é do jeito que é?” e recebermos uma resposta religiosa, como podemos evitar de perguntar novamente “E por que isso é verdade?”. Que tipo de resposta receberíamos para parar com as nossas indagações de uma vez por todas? E se elas acabarem em algum ponto, por que não poderiam ter acabado antes?

O mesmo problema aparece se Deus e o Seu propósito aparecem como a última explicação para o valor e o significado das nossas vidas. A ideia de que nossas vidas preenchem o propósito divino supostamente lhes dá um objetivo, de um modo que não exige ou admite quaisquer outros desenvolvimentos. Seria em vão perguntar “Qual é o objetivo de Deus?” do mesmo modo que alguém perguntaria “Qual é a explicação de Deus?”.

O meu problema aqui, no entanto, assim como com o papel de Deus sendo a última explicação, é que não tenho certeza se compreendo a ideia. Pode realmente haver algo que forneça um objetivo para tudo, englobando-o, mas que em si mesmo não haveria, ou necessitaria, de uma explicação própria? Algo cujo objetivo não pode ser questionado de fora porque não há “exterior”?

Deixando o assunto de lado, volto à dimensão da pequena escala da vida humana. Mesmo se a vida como um todo for sem significado, talvez não haja motivo para nos preocuparmos. Talvez a gente possa apenas reconhecer isso e seguir adiante, como fazíamos antes. O truque é manter os seus olhos naquilo que está na sua frente e permitir que justificativas acabem na sua vida e na vida dos outros aos quais você está conectado. Se você já perguntou a si mesmo “Mas qual é o sentido de estar vivo?” – em relação à vida particular de um estudante ou de um bartender ou de quem quer você seja – você responderá “Não há nenhum sentido. E não haveria problemas se eu não existisse, ou se eu não ligasse para coisa alguma. Mas eu ligo. E isso é tudo o que há”.

Algumas pessoas acham essa atitude perfeitamente satisfatória. Outras a acham depressiva, apesar de inevitável. Parte do problema é que alguns de nós tem a incurável tendência de nos levar a sério demais. Nós queremos ter um significado “do exterior”. Se nossas vidas como um todo parecem ser sentido, então parte de nós está insatisfeita – a parte que está sempre olhando sobre os seus próprios ombros em qualquer coisa que estejamos fazendo. Muitos esforços humanos, particularmente aqueles referentes a grandes ambições, além de conforte e sobrevivência, obtêm sua energia do sentimento de importância – uma sensação de que o que você está fazendo não importante apenas para você, mas é importante em um sentido mais amplo: é importante, ponto. Se nós desistirmos disso, pode nos frustrar antecipadamente. Se a vida não é real, a vida não é honesta o túmulo é o objetivo, talvez seria ridículo nos levar tão a sério. Por outro lado, se não podemos nos levar a sério, talvez a gente apenas deveria desistir de ser ridículos. A vida pode não ser apenas sem sentido mas absurda.

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Leve – Alice Ruiz

Que o breve
seja de um longo pensar

Que o longo
seja de um curto sentir

Que tudo seja leve
de tal forma
que o tempo nunca leve.

 

In: https://balsamobenigno.wordpress.com/2016/08/24/leve/ .

 

Alice Ruiz (1946 – ): Brasileira. Poetisa, tradutora, letrista e haicaísta (fazedora de haicai). Vencedora do Prêmio Jabuti de 1989, pelo livro Vice Versos. Foi esposa de Paulo Leminski. Poesia concisa, musical, concreta, visual.


Um desejo para o fim do ano, que se aproxima.

Ps: Obrigada ao blog Bálsamo Benigno pelas gotas diárias de poesia, em suas mais diversas formas.

Esboço de tradução #7 – Felicidade | Happiness – Raymond Carver

Felicidade (1985)

Tão cedo que ainda está escuro.
Estou perto da janela, com café,
e com as coisas matinais
que geralmente passam pela cabeça.
Vejo o garoto e seu amigo
caminhando pela rua
para entregar jornais.
Eles usam bonés e suéteres,
e um dos garotos carrega uma mochila no ombro.
Eles estão tão felizes
e não estão falando nada, esses garotos.
Eu acho que se eles pudessem, eles iriam
segurar um no braço do outro.
É manhã cedo,
e eles estão fazendo isso juntos.
Eles vêm, devagar.
O céu clareando,
apesar de a lua ainda pairar pálida sobre a água.
Tanta beleza que por um minuto
morte, ambição, até o amor
não entram nisso.
Felicidade.  Ela vem
inesperadamente. E ela passa, realmente,
qualquer dia de manhã cedo falar sobre isso.

 

Happiness

So early it’s still almost dark out.
I’m near the window with coffee,
and the usual early morning stuff
that passes for thought.
When I see the boy and his friend
walking up the road
to deliver the newspaper.
They wear caps and sweaters,
and one boy has a bag over his shoulder.
They are so happy
they aren’t saying anything, these boys.
I think if they could, they would take
each other’s arm.
It’s early in the morning,
and they are doing this thing together.
They come on, slowly.
The sky is taking on light,
though the moon still hangs pale over the water.
Such beauty that for a minute
death and ambition, even love,
doesn’t enter into this.
Happiness. It comes on
unexpectedly. And goes beyond, really,
any early morning talk about it.


In: <https://www.poetryfoundation.org/poetrymagazine/browse?contentId=36049 >.

 

Raymond Carver (1938-1988):  EUA. Escritor. Reconhecido pelas suas short stories sobre a classe trabalhadora dos EUA e sobre momentos em que as relações humanas colapsam, como casamentos falidos, e desilusões de todo tipo.

Fragmentos de Safo

Você me esqueceu
ou então você ama alguém mais do que a mim.
[LP 129]


Acho que alguém se lembrará de nós em outros tempos.
[LP 147]


O crepúsculo já surgiu,
as Plêiades também: meia-noite,
as horas passam
e eu me deito, uma mulher só.
[Voigt 168B]


Uma vez mulheres cretenses dançaram assim
com passos suaves no tempo
em torno desse lindo altar, docemente
pisando na grama macia.
[Incertum 16 a & b – Fragmento de autoria incerta, também atribuído a Alceu]

 

You have forgotten me
or else you love another more than me.
[LP 129]

---
Moonset already,
the Pleiades, too: midnight,
the hour passes
and I lie down, a lonely woman.
[Voigt 168B]

---
I think that someone will remember us in another time.
[LP 147]

---
Cretan women once danced this way
on gentle feet in time
around the lovely altar, softly
treading the tender flowers of grass.
[Incertum 16 a & b]



In: POWELL, Jim. The Poetry of Sappho. Oxford University Press, 2007. 
Disponível em: <http://www.projethomere.com/ressources/Sappho/Poetry-of-Sappho.pdf> .

 

Safo de Lesbos (aprox. 630 a.c – 570 a.c): Grega, nascida na ilha de Lesbos. Com o passar dos séculos, a vida de Safo transformou-se em lendas a respeito de sua aparência física, opção sexual e da autenticidade dos poemas a ela atribuídos. Sabe-se que era de família abastada, e possivelmente estudou ou geriu um gineceu (espécie de escola só para moças, cuja associação com Safo resultou no termo lesbianismo). A escrita de Safo é a lírica grega, com versos, por ventura eróticos, sobre o amor e sentimentos, a convivência entre moças e aspectos ritualísticos da época. Como restaram apenas fragmentos de sua poesia, identifica-se os excertos conforme o nome do autor da coletânea de origem (Voigt = Eva-Maria Voigt; LP = Lobel & Page; Incertum = fragmentos cuja autoria é questionada a depender da coletânea). Não se sabe como seus versos foram transmitidos ao longo do tempo, mas percebe-se sua influência em outros grandes nomes da Antiguidade, como Catulo, Horácio, Píndaro e Ésquilo.

—–
Obs: Lembramos.

Esboço de tradução #6 – eu repito a mim mesma – ich wiederhole mich|Lea Schneider

[eu repito a mim mesma]Poesia para tempos de transição

 

Eu repito a mim mesma. em qualquer lugar longe, onde se ativou o modo-arquétipo: tecer, desfazer, mil e uma correções. ganhar tempo, no qual eu possa desfazer os fios, as peças de lego, casas pré-fabricadas, arrancadas peça por peça, lapidar o castelo, destruir até a sua base de plástico duro, na qual se ergue, e lá instalar uma área protegida, com aquecimento próprio incluído. desde que a minha certeza disso precise: aquecimento. um meio para fixar as coisas, como cola em bastão ou redundância. Empilhando histórias dentro de uma história até os ombros, em seguida, desfazendo imediatamente, a insaciabilidade como critério ampliado do seu êxito. O que mais importa: não encontrar um fim, mas buracos na trama, os quais eu consiga desenvolver. um esconderijo no cliffhanger, em referências contínuas, para frente e para trás.

 

[ich wiederhole mich]

ich wiederhole mich. irgendwo weiter vorn, wo sich der archetyp-modus eingeschaltet hat: weben, auftrennen, tausendundeine korrektur. zeit gewinnen, in der ich fäden lösen kann, die legosteine, plattenbauten, stück für stück auseinanderrupfen, die burg schleifen, abtragen bis zur hartplastikbasis, auf der sie steht, und dort ein schutzgebiet einrichten, standheizung inklusive. sofern meine sicherheit das braucht: wärmezufuhr. ein mittel zur fixierung, wie prittstift oder redundanz. die schachtelgeschichten bis auf schulterhöhe stapeln, dann sofort wieder rückgängig machen, unerfüllbarkeit als erweitertes kriterium ihres gelingens. worauf es ankommt: kein ende zu finden, sondern fehler im plot, die ich ausbauen kann. ein versteck im cliffhanger, im ständigen verweisen, vor und zurück.

In: Invasion rückwärts, Verlagshaus Berlin, 2014. 
Online: <https://www.lyrikline.org/de/gedichte/ich-wiederhole-mich-12715#> .

 

Lea Schneider (1989 – atual): Alemã. Autora e tradutora (alemão – mandarim). Integrante do coletivo Lyrikkollektiv G13. Atualmente dedica-se a tradução de autores chineses contemporâneos e à curadoria de eventos literários em Berlim. Vencedora dos prêmios Dresdner Lyrikpreis, em 2014, pelo livro Invasion Rückwärts, e Postpoetry.NRW-Preis, em 2018.

CHARNECA EM JÆREN – Cecilie Løveid

Alguma vez você se
culpou

pelo instante
em que se apaixonou?

Quando finalmente começou a sentir
os estertores?

Você enxerga a si mesma.

E tudo
se intromete no caminho
de tudo.

 

 

[TORVMYR, JÆREN]

Kan du bebrejde deg selv
for det

øyeblikket
du bli forelsket?

Når det endelig begynner
å surkle?

Du spejler deg.

Og alt
renner i veien
for alt.

In: Um poema nórdico ao dia—Eitt norrænt ljóð á dag—En nordisk dikt om dagen <https://www.facebook.com/pg/nordrsudr/about/?ref=page_internal >. Traduzido do norueguês-bokmål por Leonardo Pinto Silva e Luciano Dutra na Feira do Livro de Gotemburgo.

 

Cecilie Løveid (1951 – atual): Norueguesa. Escritora, dramaturga, poetisa. Figura central na renovação do modernismo norueguês, brinca com teatro experimental. Entre seus temas principais estão a relação corpo – língua, comunicação e a escrita/literatura/arte como meio de contornar o absurdo/vazio da existência [tornar menos sofrido, eu diria].

 

Obs 1: Recomendo fortemente seguir a página  Um poema nórdico ao dia—Eitt norrænt ljóð á dag—En nordisk dikt om dagen . É um projeto muito interessante, com conteúdo novo todo dia. Vários poetas, com várias temáticas distintas. Vale a pena conhecer!

 

Obs 2: Quem nunca, né?

Esboço de tradução #5: Escritos | Écrits – Colette Peignot

Escritos

A vida responde – não é vão
a gente pode agir
contra – a favor
A vida exige
o movimento
A vida é o curso do sangue
o sangue não para de correr nas veias
eu não posso parar de viver
de amar os seres humanos
como amo as plantas
de ver nos olhares uma resposta ou um apelo
de explorar os olhares como um escafandro
mas permanecer lá
entre a vida e a morte
a dissecar ideias
epilogar sobre o desespero
Não
ou imediatamente: o revólver
tem olhares como o fundo do mar
e permaneço lá
algumas vezes caminho e os olhares se cruzam
tudo em algas e detritos
outras vezes cada ser é uma resposta ou um apelo.

 

Écrits

La vie répond – ce n’est pas vain
on peut agir
contre – pour
La vie exige
le mouvement
La vie c’est le cours du sang
le sang ne s’arrête pas de courir dans les veines
je ne peux pas m’arrêter de vivre
d’aimer les êtres humains
comme j’aime les plantes
de voir dans les regards une réponse ou un appel
de sonder les regards comme un scaphandre
mais rester là
entre la vie et la mort
à disséquer des idées
épiloguer sur le désespoir
Non
ou tout de suite : le revolver
il y a des regards comme le fond de la mer
et je reste là
quelquefois je marche et les regards se croisent
tout en algues et détritus
d’autres fois chaque être est une réponse ou un appel.


In: <https://fleursdumal.nl/mag/laure-colette-peignot-ecrits>.

 

 

Colette Peignot (1903-1938): Francesa. Também escrevia sob o pseudônimo de Laure Peignot. Profundamente marcada pelo sofrimento decorrente da morte do pai durante a 1ª Guerra Mundial, uma grave tuberculose aos 13 anos e abusos sexuais durante a adolescência. Usou sua herança para financiar jornais e revistas de inspiração socialista. Usou seus affairs com intelectuais da época (Georges Bataille) para questionar o papel da burguesa, da mulher, do erudito. Usou sua escrita para ressaltar o valor cognitivo do sofrimento.